sábado, 18 de julho de 2015

THE SNOW QUEEN - Michael Cunningham


Uma luz celestial brilhou para Barrett Meeks no manto da noite sobre o Central Park, quatro dias depois de Barrett ter sido maltratado, mais uma vez, pelo amor. Certamente essa não era primeira vez que o rejeitavam, mas foi a primeira a ser comunicada numa mensagem de texto de cinco linhas, sendo a quinta linha um desejo esmagadoramente protocolar de boa sorte no futuro, seguido três “x” em caixa baixa representando beijos. 
Durante os últimos quatro dias, Barrett procurou não se deixar desestimular pelo que parecia ser, ultimamente, uma sequência de separações polidas e mornas. Nos seus vinte anos, o amor geralmente terminava em crises de choro, em gritos que acordavam os cachorros da vizinhança. Em certa ocasião, ele e seu futuro-ex trocaram murros ( Barrett ainda consegue ouvir a mesa virando, o som do moedor de pimenta rolando pelo piso de madeira ). Em outra: uma discussão esbravejada na Barrow Street, uma garrafa quebrada ( a expressão “se apaixonar” ainda sugere, para Barrett, cacos verdes de vidro numa calçada sob um poste de luz ), e a voz de uma mulher idosa, nem esganiçada nem repreensiva, emanando de uma janela baixa e escura, dizendo simplesmente, “Vocês não entendem que tem gente morando aqui, que nós estamos tentando dormir?”, como a voz de uma mãe exausta.
Conforme Barrett avançava pelos trinta anos, as rupturas foram se assemelhando cada vez mais a transações comerciais. Não eram destituídas de rancor e acusações, mas não havia dúvidas de que se tornaram menos histéricas. Elas começaram a ganhar o tom dos acordos e investimentos que, infelizmente, deram errado, apesar das promessas de lucro abundante.
Essa última separação, contudo, foi a primeira a ser avisada por mensagem de texto, a despedida aparecendo sem convite, sem aviso, numa tela tão pequena quanto uma barra de sabonete de hotel. Oi Barrett, acho que você já sabe do que se trata. Soava como um dermatologista dizendo, displiscentemente, depois do seu checkup anual, Eu acho que você sabe que essa pinta na sua bochecha, essa manchinha cor de chocolate que foi descrita, mais de uma vez, como um detalhe do seu charme  ( quem foi que disse que a versão pintada a lápis por Maria Antonieta era exatamente nesse local? ) é, na verdade câncer de pele.
Barrett respondeu primeiro por mensagem de texto. Um email pareceria ultrapassado; um telefonema, desesperado. Então ele digitou nas teclas minúsculas, Uau, que repentino, que tal conversarmos um pouco, estou onde sempre estou. xxx.


No final do segundo dia, Barrett já havia deixado mais duas mensagens.

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